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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Filosofando: Platão

Oi pessoal!

Vamos continuar nossos estudos sobre os filósofos? Hoje vamos estudar sobre Platão. Acompanhe o post.

A vida de Platão

Em 428 a.C. (ou 427 a. C., não se sabe ao certo), nasce em Atenas aquele que por muitos é considerado o maior filósofo da Antiguidade: Platão. Sua família era muito tradicional, sendo muito de seus membros pessoas eminentes na política. Como era muito comum entre os atenienses de seu tempo, Platão desde cedo se interessou pela política. Ainda em sua juventude, Platão conhece e torna-se um discípulo de Sócrates, por quem foi profundamente influenciado em sua filosofia.

Quando, em 399 a.C., Sócrates é julgado e morto, aprofunda-se em Platão a descrença nos rumos políticos da democracia ateniense (essa crítica à democracia ateniense foi uma de suas preocupações centrais durante a sua vida). Após a morte de seu mestre, Platão resolve viajar. Vai à Magna Grécia (que hoje seria o sul da Itália) onde conhece Arquitas de Tarento, um sábio- governante que inspira em Platão um modelo de governante para a solução dos problemas políticos. Ainda durante essa viagem, Platão vai a Siracusa, cidade-Estado localizada na Sicília, onde conhece e torna-se amigo de Dion, cunhado de Dionísio, tirano da cidade. É nessa cidade que Platão tenta aplicar suas ideias sobre política. Mas nada consegue. Ainda durante essa viagem, Platão vai ao Egito, mas o que aconteceu durante essa jornada é praticamente desconhecido. É nessa época que Platão escreve seus primeiros Diálogos e, provavelmente, começa a escrever República, uma de suas maiores obras. Os Diálogos dessa fase são considerados "socráticos", como a Apologia de Sócrates e Eutífron.

Por volta de 387 a.C., já em Atenas, Platão funda sua Academia, que era uma instituição de ensino que concebia o conhecimento como algo vivo e mutável e não como algo a ser decorado e passado adiante (bem que as escolas atuais poderiam se inspirar nessa concepção platônica de conhecimento e ensino). A fundação da Academia é considerada um marco na história do pensamento ocidental. Durante vinte anos Platão dedica-se ao ensino e às suas obras. Desse período são os Diálogos considerados de "transição", como Fédon, Banquete, República, Fedro. Essa fase é considerada uma transição da filosofia socrática de Platão para uma filosofia mais pessoal, mais desvinculada de seu mestre.
Em 367 a.C., Dion chama Platão de volta à Siracusa: Dionísio I havia morrido e seria sucedido por Dionísio II. Platão vê nessa situação a chance de mudar os rumos políticos da cidade, ou seja, preparar o novo tirano para expulsar os cartagineses da Sicília. Essa segunda viagem de Platão foi fracassada, pois ele não consegue realizar seus intentos junto a Dionísio II. Ainda mais uma vez Platão seria chamado a Siracusa e mais uma vez sua viagem seria fracassada.

Acabada sua tentativa de intervir na vida política de Siracusa, Platão retorna à sua Academia para retomar a produção de sua obra. Essa última fase de sua obra pode ser considerada a fase do amadurecimento de sua filosofia, além de definir, definitivamente, as fronteiras entre o seu pensamento e o de seu mestre Sócrates. É nessa fase que podemos ver sua visão do mundo das ideias em sua plenitude. (Só para localizar quem está lendo essa biografia e nunca soube nada sobre a filosofia de Platão, cabe aqui uma rápida explicação: o mundo das ideias seria o lugar da onde tudo que conhecemos teria nascido, só que esse mundo é invisível. Tudo aquilo que podemos ver é somente uma cópia imperfeita desse mundo das ideias). São dessa fase obras como Timeu, Crítias e a inacabada Leis.

Platão morreu em 348 a.C. (ou 347 a.C.), cerca de dez anos antes de Felipe da Macedônia conquistar a Grécia. Isso mostra que talvez ele estivesse certo em criticar a democracia e a política ateniense de uma maneira geral, mas isso não cabe a nós julgarmos. Mas um dos maiores ensinamentos que ele nos legou é justamente um que mais falta em nossos dias: para Platão, o conhecimento constrói-se a partir de uma junção entre intelecto e emoção. Para ele, a ciência, o conhecimento são frutos de inteligência e amor.

Platão e a educação

Platão valorizava os métodos de debate e conversação como formas de alcançar o conhecimento. De acordo com Platão, os alunos deveriam descobrir as coisas superando os problemas impostos pela vida. A educação deveria funcionar como forma de desenvolver o homem moral. A educação deveria dedicar esforços para o desenvolvimento intelectual e físico dos alunos. Aulas de retórica, debates, educação musical, geometria, astronomia e educação militar. Para os alunos de classes menos favorecidas, Platão dizia que deveriam buscar em trabalho a partir dos 13 anos de idade. Afirmava também que a educação da mulher deveria ser a mesma educação aplicada aos homens.

Frases de Platão

"O belo é o esplendor da verdade".
"O que mais vale não é viver, mas viver bem".
"Vencer a si próprio é a maior de todas as vitórias".
"O amor é uma perigosa doença mental".
"Praticar injustiças é pior que sofrê-las".
"A harmonia se consegue através da virtude".
"Teme a velhice, pois ela nunca vem só".
"A educação deve possibilitar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza que podem ter".

Espero que tenham gostado.


Beijinhos*

quinta-feira, 19 de março de 2015

Filosofando: Idealismo x Realismo

Oi!

Antes de começarmos a falar sobre os filósofos, temos que entender um pouquinho a origem das ideias que surgiram a partir de duas correntes filosóficas, realismo e idealismo. Acompanhe o post e entenda.

Idealismo

O Idealismo é a escola do pensamento educacional promovida por Platão em 400 a.C. Ele achava que humanos poderiam progredir de dentro para fora, corrigindo seus pensamentos e descobrindo o conhecimento desde o nascimento. O Idealismo se concentra no raciocínio e na maneira pela qual a pessoa pode trazer à tona o conhecimento que tem dentro de si. Na sua visão, o mundo existe somente na mente das pessoas e esta verdade definitiva reside em uma consistência de ideias. Portanto, quanto mais perfeitas tornam-se nossas ideias, melhor podemos servir ao mundo.

Realismo

O Realismo é a escola de pensamento educacional promovida pelo aluno de Platão, Aristóteles. Essa escola afirma que a única realidade é o mundo material, que o estudo do mundo exterior é o único meio confiável de encontrar a verdade; o mundo é um fenômeno objetivo ao qual a nossa mente precisa aderir. Conseguimos cada vez mais conhecimento através do estudo adequado do mundo. No Realismo, uma pessoa é um vaso vazio de conhecimento, e este só pode vir de fora do ser, através da observação. Essa filosofia foi a mãe do método científico, um sistema de investigação baseado em fatos objetivos.

A filosofia e o professor

Realismo e Idealismo são fundamentalmente visões opostas e a filosofia de um professor ficará evidente em sala de aula. Um idealista, por exemplo, ansiará pelo papel de mediador, guiando os estudantes em direção à verdade. Os estudantes serão capazes de procurar pela verdade independentemente, pensando livremente, sob a orientação cuidadosa do professor. Como mediador, o professor não assumirá o papel de autoridade absoluta, mas será um guia gentil para o estudante. Um realista, em contrapartida, almejará infundir conhecimento nos estudantes de fora para dentro. Esse professor procurará empregar o método científico de hipóteses e o estudo cuidadoso sobre o uso da pura razão lógica, como o que se encontra na educação idealista. O Realismo tem a ver com o behaviorismo, que é um sistema de aprendizado por meio de castigo e recompensa. Confiando unicamente na informação do mundo exterior, o Realismo não leva em consideração o pensamento original do estudante. O professor será visto, então, como a maior autoridade, uma figura à qual os estudantes precisam responder e não um guia que pode ser questionado.

Esse post é um introdutório para nossos estudos filosóficos, para entender suas ideias e princípios é necessário estudarmos as correntes filosóficas. Assim iremos compreender a contribuição de cada filosofo para a educação que influencia até os dias atuais.

Espero que tenham gostado do post.
Aguardem os próximos posts.
Beijinhos*



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Filosofando: Sócrates

Olá pessoal!
Uma das matérias que mais gostei na faculdade foi filosofia, onde conseguimos compreender a base da educação que vivemos hoje. Foram muitos estudos e descobertas de pesquisadores que doaram sua vida a fazer reflexões sobre o pensar e assim com questionamentos ajudar as pessoas em seu desenvolvimento.
O blog terá uma parte especial sobre filosofia, onde iremos apresentar os filósofos, suas vertentes e o que contribuiu para a educação. Iremos seguir de acordo com a árvore dos pensadores e o primeiro é Sócrates, abras as portas do conhecimento e venham comigo!





Sócrates
Nasceu em Atenas por volta de 469 a.C, filho de Sofrônico, escultor, e de Fenáreta, parteira. Aprendeu a arte paterna, mas dedicou-se inteiramente à meditação e ao ensino filosófico, sem recompensa alguma, assim se tornou um dos principais pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar que Sócrates fundou o que conhecemos hoje por filosofia ocidental. Foi influenciado pelo conhecimento de um outro importante filósofo grego: Anaxágoras. Seus primeiros estudos e pensamentos discorrem sobre a essência da natureza da alma humana.

Sócrates marca uma reviravolta na história humana, pois naquela época a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza e ele tinha por objetivo levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à pratica do bem.  Assim os sofistas que eram os educadores profissionais não ensinavam aos jovens o método da investigação, mas um saber enciclopédico que contradiz as ideias de Sócrates.

Era considerado pelos seus contemporâneos um dos homens mais sábios e inteligentes. Em seus pensamentos, demonstrava uma necessidade grande de levar o conhecimento para os cidadãos gregos. Seu método de transmissão de conhecimentos e sabedoria era o diálogo. Através da palavra, o filósofo tentava levar o conhecimento sobre as coisas do mundo e do ser humano. Andava nas ruas, praças e ginásios persuadindo jovens e adultos a não se preocuparem tanto com o corpo ou com a fortuna, mas com a perfeição da alma.

Conhecemos seus pensamentos e ideias através das obras de dois de seus discípulos: Platão e Xenofontes. Infelizmente, Sócrates não deixou por escrito seus pensamentos.

Ideias

Ninguém adquire a capacidade de conduzir-se e muito menos de conduzir os outros se não possuir a capacidade de autodomínio. Depois dele, a noção de controle pessoal se transformou em tema central na filosofia moral.

Valorizava a verdade e as virtudes, acreditava que o conhecimento conduz a prática da virtude e com a verdade se alcança o bem.

A busca pelo saber é o caminho para a perfeição humana.

O nascimento das ideias

Sócrates comparava sua função com a profissão de sua mãe, ela era parteira e assim não dava a luz, mas auxiliava no nascimento e ele não dava o conhecimento, mas direcionava ao conhecimento. A isso ele nomeou de maiêutica (parto de ideias) que consiste em fazer perguntas e analisar as respostas de maneira sucessiva até chegar à verdade ou contradição do enunciado. Ela estimula o pensamento a partir daquilo que não conhecem, ou seja, pela ignorância. Daí a sua famosa frase: “eu só sei que nada sei”.

Para entender melhor vamos trazer para a realidade em sala de aula. Um professor faz uma série de perguntas não apresentando as respostas diretamente, resultando em uma consciência mais profunda dos limites do conhecimento estabelecida a partir da busca das respostas para as questões problemas. Assim, através de questionamento a mente consegue encontrar, em si mesma, a verdade.

O papel do professor segundo as ideias de Sócrates

É de ajudar a caminhar, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio obter sua inteligência e sua consciência. Assim o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta a vontade de conhecer. Segundo Sócrates admitir a reciprocidade ao exercer sua função é permitir que os alunos contestem os argumentos da mesma forma que contestamos os argumentos dos alunos. Para ele, só a troca de ideias dá liberdade ao pensamento e sua expressão.

Morte

Tão logo as ideias de Sócrates foram se espalhando pela cidade, ele ganhava mais e mais discípulos.
Assim, pensavam eles: Como um homem poderia ensinar de graça e pregar que não se precisavam de professores como eles?. E mais: Eles não concordavam com os pensamentos de Sócrates, que dizia que para se acreditar em algo, era preciso verificar se aquilo realmente era verdade.
Logo Sócrates começou a fazer vários inimigos, assim causando uma grande intriga. Mas eis que a guerra do Peloponeso estourou, todos os homens entre 15 e 45 anos de idade foram enviados para lutar. Sócrates, pela sua habilidade de fazer as pessoas o seguirem, foi escolhido então como um dos generais.
Ao final da guerra, com a intenção de salvar os poucos soldados que estavam vivos, Sócrates ordena que todos voltem rapidamente para Atenas, mas deixassem os mortos no campo de batalha - contrariando uma lei que obrigava o general a enterrar todos os seus soldados mortos, ou morrer tentando. Assim, ao chegar, ele é preso.
Usando toda a sua capacidade de persuasão, Sócrates consegue convencer a todos de que era melhor deixar alguns mortos do que morrerem todos, uma vez que se todos morressem, ninguém poderia enterrá-los. Desta forma ele consegue a liberdade.

Ficou livre por mais 30 anos, quando foi preso novamente, acusado de 3 crimes:
1- Não acreditar nos costumes e nos deuses gregos;
2- Unir-se a deuses malignos que gostam de destruir as cidades;
3- Corromper jovens com suas ideias;

Dado a ele a chance de se defender destas acusações, Sócrates mostra toda a sua capacidade de pensamento. Em sua defesa, ele mostra que as acusações eram contraditórias, questionando: “Como posso não acreditar nos deuses e ao mesmo tempo me unir a eles?”. Mesmo assim, o tribunal, constituído por 501 cidadãos, o condenou. Mas não a morte, pois sabiam que se o condenassem à morte, milhares de jovens iriam se revoltar. Condenaram-no a se exilar para sempre, ou a lhe ser cortada a língua, impossibilitando-o assim de ensinar aos demais. Caso se negasse, ele seria morto. Após receber sua sentença, Sócrates proferiu: “Vocês me deixam a escolha entre duas coisas: uma que eu sei ser horrível, que é viver sem poder passar meus conhecimentos adiante. A outra, que eu não conheço, que é a morte ... escolho pois o desconhecido!”
Em sua cela, foi condenado a suicidar-se tomando um veneno chamado cicuta, em 399 AC.

Dizem...

Sócrates costumava caminhar descalço e não tinha o hábito de tomar banho. Em certas ocasiões, parava o que quer que estivesse fazendo, ficava imóvel por horas, meditando sobre algum problema.

Conta-se que um dia Sócrates foi levado junto à sua mãe para ajudar em um parto complicado. Vendo sua mãe realizar o trabalho, Sócrates logo “filosofou”: Minha mãe não irá criar o bebê, apenas ajudá-lo-á a nascer e tentará diminuir a dor do parto. Ao mesmo tempo, se ela não tirar o bebê, logo ele irá morrer, e igualmente a mãe morrerá! Sócrates concluiu então que, de certa forma, ele também era um parteiro. O conhecimento está dentro das pessoas (que são capazes de aprender por si mesmas). Porém, eu posso ajudar no nascimento deste conhecimento. Concluiu ele. Por isso, até hoje os ensinamentos de Sócrates são conhecidos por maiêutica (que significa parteira em grego).

Frases

- A vida que não passamos em revista não vale a pena viver.

- A palavra é o fio de ouro do pensamento.

- Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.

- É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal.

- Alcançar o sucesso pelos próprios méritos. Vitoriosos os que assim procedem.

- A ociosidade é que envelhece, não o trabalho.

- O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância.

- Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor empregado.

- Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes.

- Não penses mal dos que procedem mal; pense somente que estão equivocados.

- O amor é filho de dois deuses, a carência e a astúcia.

- A verdade não está com os homens, mas entre os homens.

- Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.

- Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir.

- Sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos.

- Todo o meu saber consiste em saber que nada sei.


- Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus.

A história de Sócrates me encanta, admiro pessoas que lutam em prol da sociedade. Todos nós podemos fazer nossa parte seja como professores ou cidadãos, oferecer o direito de reflexão e aceitar opinião do outro, afinal a verdade não é absoluta.

Espero que gostem
Beijinho*